Aventura de amar
Era sexta-feira e a fabrica fechava mais cedo, Euclides estava eufórico, e não se importava que todos notassem a sua pressa. Desejava chegar a sua residência antes que a filha voltasse da escola. Saiu da empresa quase correndo, tomou o carro e disparou em direção a sua moradia. Seguia dirigindo enquanto pensava que naquele dia poderia namorar bastante sem a criança atrapalhar os dois. A Dulcinéia já deveria ter tomado banho e se perfumado, com certeza estava ansiosa esperando por ele. Se é que não dormiu na banheira, coitada, pensou. Sabia que ela era meio atrapalhada, mas não tinha problema, ele a amava mais que nunca. Era verdade, nestes cinco anos de casado seu amor por ela só havia aumentado.
Euclides estacionou o carro na garagem ao lado da residência e fez a volta para entrar pela porta da frente. Como a casa ficava recuada, abriu o pequeno portão e caminhou pela passarela de cimento em direção a porta principal. O sol das quatro passando pelas folhagens do cajueiro, ao lado da casa, lhe punha sombras alternando claro e escuro no seu corpo. Um observador de dentro da casa diria que ele estava dançando ao caminhar. Entrou na sala e olhou em todas as direções, surpreendeu-se ao perceber que sua mulher não o estava esperando.
– Dulcinéia! Dulcinéia! – Gritou, mas não ouviu resposta.
Euclides passou de ansioso a preocupado, pois a esposa sempre o esperava na sala.
– Tem alguma coisa errada. Será que ela esta dormindo? – falou para si mesmo.
Dirigiu-se ao quarto do casal, não encontrou ninguém. Passou a procurar em todos os cômodos da casa. Sentiu o coração apertado, enquanto a cabeça começava a latejar. Pelo menos nestas partes ele sentia alguma coisa, enquanto que as pernas nada sentia. Chegou à área de serviço e encontrou sobre a pia uma toalha manchada de vermelho, cheirou para confirmar sua suspeitas.
– Ah meu Deus, é sangue!
Continuou sua busca, no entanto com dificuldade, pois não conseguia respirar direito, e o raciocínio também já não era muito claro. Entrou no banheiro e abriu a cortina da banheira. Deu um grito de pavor e quase desmaiou diante da visão dantesca que encontrou. As paredes começaram a balançar, e ele se segurou para não cair.
Avistou a louça branca da banheira toda manchada de sangue. Tinha ao fundo os contornos do corpo da sua mulher. Com certeza alguém a feriu, deixou a água secar e depois arrastou o corpo dela até o chuveiro. Foi o que concluiu Euclides no auge do desespero. Conseguiu recuar cambaleando até a sala. Quando olhou em direção ao portão, avistou Dulcinéia flutuando na sombra do cajueiro e vindo em sua direção.
– Você veio me buscar meu amor. Me leve com você. Não me deixe sozinho – falou Euclides num fio de voz e em seguida desmaiou.
Acordou com alguém batendo em seu rosto, e sentiu que estava com a cabeça em cima de uma almofada.
– Acorde Euclides – falava Dulcinéia batendo levemente no rosto dele.
Euclides abriu mais os olhos, e viu a esposa a sua frente segurando-lhe as mãos. Foi então que compreendeu que a mulher não estaria morta.
– Onde você estava?
– Fui à farmácia. Agora fique deitadinho que vou lavar a banheira.
Dulcinéia se afastou com um pacote na mão onde Euclides leu “Absorvente íntimo”.


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